2023 supera expectativas e traz otimismo para o setor automotivo no país
Em 2023, a indústria automotiva no Brasil encerrou o ano com resultados que superaram as expectativas.
As mudanças positivas para o mercado foram refletidas no último relatório da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), publicado em outubro de 2023, o qual demonstrou o impulsionamento do setor principalmente pelo programa de descontos do governo em veículos de até R$ 120 mil, o que resultou em um aumento de 9,4% nas vendas (emplacamentos) de janeiro a agosto, em comparação com o mesmo período de 2022, sobretudo de veículos que estavam em estoque.
Para este ano de 2024, as perspectivas permanecem otimistas em comparação com os resultados observados desde a pandemia. As mudanças no cenário macroeconômico tendem a razoavelmente estimular as atividades do setor automotivo após um período turbulento.
Embora a crise global de fornecimento de semicondutores persista em menor escala, espera-se que este seja finalmente regularizado ainda este ano, com seus impactos sendo progressivamente menos sentidos pela indústria. As obras do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC), lançado no último mês de agosto pelo Governo Federal, desempenharão um papel fundamental na alavancagem da economia e no estímulo às vendas de máquinas rodoviárias.
Estima-se que o crescimento para o setor automotivo em 2024 seja caracterizado pelo aumento das importações em detrimento da produção nacional, especialmente devido à entrada de novas montadoras asiáticas no mercado doméstico. Outro indicativo do otimismo do mercado e das entidades do setor para o ano é o plano da Anfavea de retomar o renomado evento do Salão do Automóvel de São Paulo, que não ocorre desde 2018.
Apesar dos desafios de infraestrutura no país, a maioria das montadoras segue comprometida com a eletrificação de suas frotas e investindo em novas tecnologias, impulsionando a adoção de veículos elétricos pelos consumidores. Projetos de incentivos fiscais e linhas de crédito do BNDES para pesquisa e produção de carros elétricos em território nacional visam o fortalecimento desse propósito.
Diante da alta carga tributária, da inflação e dos impactos da crise mundial na produção de veículos, que resultaram em aumentos significativos nos preços dos automóveis, as montadoras provavelmente continuarão a adotar estratégias alternativas de vendas com suas redes de concessionários. Entre essas alternativas, destacam-se o crescimento das campanhas de vendas diretas com descontos, tradicionalmente direcionadas para locadoras, frotistas, taxistas, governos e pessoas com deficiência (PcDs), e a implementação de plataformas de venda online, que acompanham a esteira do novo perfil do mercado consumidor.
Em suma, a projeção para o setor automotivo este ano é marcada por perspectivas positivas. Espera-se que os novos programas de investimento, o aumento na concessão de linhas de crédito, o arrefecimento da crise de semicondutores e os investimentos em infraestrutura impulsionem as vendas, contribuindo para uma recuperação mais robusta. A transição para a eletrificação das frotas e a ênfase em estratégias de venda demonstram a capacidade de adaptação das empresas às demandas do mercado e às tendências tecnológicas, que se somam ao desafio de coexistência com as diretrizes legais em vigor desde o final da década de 1970, notadamente a Lei Renato Ferrari, que regulamenta a relação comercial entre montadoras e respectivas redes de concessionárias de veículos.
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